A fantasia da histérica

” Encontramos na histeria, entre outros projetos, o projeto de “tornar-se uma outra”. “Ser uma outra”, nesse caso, é estar em outro lugar, idealizar o príncipe encantado, viver no mundo que sempre parece tão perfeito dos salões da corte.

Na histeria, o bordado fantasmático parece, na maior parte das vezes, excessivo, barroco demais, tem muita renda, muito ponto festonê, muito crivo. É assim que aparece para Dora o mundo maravilhoso de Mme K., assim é também o mundo sonhado por Mme Bovary.1 O projeto de ser uma outra é, nesses casos, muito elaborado e cultivado com carinho. A vida só parece ser possível se a ilusão ganhar todas as cores.

Os enredos se fazem todos na mesma maneira: um homem cobiçado, uma mulher ingênua e sofredora, um vilão e uma vítima. A felicidade está sempre em outro lugar, numa outra festa, em outra cidade, outra família, com outro marido e assim vai… O bordão poderia ser, sem problemas, esse: “Há em algum lugar do planeta uma mulher mais feliz que eu e ser esta mulher é ter tudo, é ter toda a felicidade do mundo!” Há um detalhe fundamental nesta postulação. Esse bordão é algo que a histérica sabe que pode ser falso, que está ali só alinhavando um tecido imaginário que ela considera imprescindível para viver, ele dá a ela o sonho de um dia banir todo o sofrimento e ao mesmo tempo garante, no presente, a estética da mulher que sofre por não ter aquilo que ela imagina que uma outra mulher pode ter.

A composição da fantasia histérica comporta sempre mais de um personagem e seu objetivo é ter a ilusão de que é possível ter acesso à subjetividade de todos os integrantes da cena fantasmática, ou seja, o que move o projeto da fantasia histérica é a ilusão, nesta montagem, de conhecer o desejo e aquilo que provoca o desejo, em cada um dos personagens.”

Teresa Pinheiro

Referência Bibliográfica

ARTIGO – Pinheiro, Teresa (2004) Tornar-se uma outra na histeria e ser uma outra do falso self. Rev. latinoam. psicopatol. fundam 7 (1)

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A eterna insatisfação das histéricas

O desejo insatisfeito na histérica é muito recorrente, já que tudo o que ela não quer é deparar-se com a falta, e o medo de vivenciar a possibilidade de um gozo pleno, uma satisfação absoluta, que a destruiria enquanto sujeito. O histérico transforma a realidade em fantasia e erotiza tudo a sua volta, erotiza não na questão de coito, do ato sexual em si, nem relaciona com pornografia, mas os gestos dos outros são interpretados pela histérica como sexuais, voltados à erotização, e a masturbação. Assim, ao oferecer-se ao outro nunca é pensando na relação sexual, pois isto raramente acontece; geralmente a relação sexual é encarada pela histérica como nojo, e Freud já dizia, que em casos de mulheres que manifestam nojo da relação sexual pode afirmar tratar-se de histeria.

Nasio (1991, p. 17) descreve que na estrutura histérica não a há a percepção dos objetos internos e externos da forma como costumeiramente é percebido, mas há a transformação da realidade pela fantasia, e define a histericização como, “erotizar uma expressão humana, seja ela qual for, embora para si só, intimamente, ela não seja de natureza sexual – das quais não necessariamente tem consciência –, de qualquer gesto, qualquer palavra ou qualquer silêncio que perceba no outro ou que dirija ao outro”.

As questões problemáticas histéricas estão intimamente relacionadas com a via da insatisfação, já que satisfazer- se pode ser considerado um passo para a morte, enquanto ser, conforme demonstrado no excerto: “o problema histérico é, antes de mais nada, seu medo, um medo profundo e decisivo, jamais sentido, mas atuando em todos os níveis de seu ser; um medo concentrado num único perigo: o fato de gozar” (Nasio, 1991)

Na histeria vai se buscar constantemente a conquista do falo, a reivindicação do mesmo, pois julga que foi injustamente privada de tê-lo. Conforme explicita Dor (1991,p. 69) Se, fundamentalmente, o objeto do desejo edipiano, o falo, é aquilo de que o histérico se sente injustamente privado, ele não pode delegar a questão de seu desejo a não ser àquele que é suposto tê-lo. Neste sentido, o histérico não interroga a dinâmica de seu desejo senão junto ao Outro, que é sempre suposto deter a resposta ao enigma da origem e do processo do desejo em questão. Em outras palavras, ele se anula para realizar o desejo do Outro e sempre colocar-se a serviço deste, assim como defender as ideias do Outro, por entender que este possui algo a mais e se engaja á esse “sacrifício”, “abdicar alguma coisa de seu próprio desejo em benefício de um outro”. O que na verdade, é uma via para manter seu desejo insatisfeito, pois satisfazê-lo é aceitar não ter o falo, e não poder possuí-lo é se defrontar com a castração.

Dor (1991, p. 72) acrescenta que, […] o histérico se viu frequentemente como não tendo sido amado o bastante pelo Outro, como não tendo recebido todas as provas de amor esperadas da mãe. Esta frustração de amor inscreve-se sempre em referência ao jogo fálico. O histérico investe-se assim, nesta frustração, como um objeto desvalorizado e incompleto, ou seja, como um objeto derrisório para o desejo da mãe face ao que poderia ser, pelo contrário, um objeto completo e ideal: o falo.

A histérica deixa o corpo a mercê do imperativo da perfeição estética como condição fundamental para ser feliz”, de modo que adia a felicidade e a satisfação, já que tal perfeição é jamais alcançada, é apenas um meio para a manutenção da insatisfação.

Referências Bibliográficas

NASIO JD. A histeria: teoria e clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.

DOR, J. Estruturas e clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Taurus Editora, 1991.

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As causas do medo de adoecer/morrer e formas de enfrentá-las

Contexto atual

Alguns fatores contemporâneos asseveram o medo do adoecimento e da morte: a fragilidade das constituições familiares, a perda de vínculos culturais, a exposição massiva de informações não depuradas, o alarmismo midiático, a paranoia exacerbada pela sociedade da vigilância e punição, a mudança da significação do processo de envelhecimento e as promessas tecnológicas.

O grande problema é que há poucas referências as quais o sujeito pode se apoiar para elaborar a morte e o adoecimento e toda conjuntura social moderna é forjada para tornar esses assuntos um tabu a ser evitado ou, ao menos, trabalhado única e exclusivamente por camadas especializadas, geralmente os profissionais de saúde.

Giacomin KC et al (2013) apontam que rituais de luto têm facilitado a integração da morte, a transformação dos sobreviventes e a continuidade da vida dos seres humanos ao longo da história. No entanto, a morte e o luto estão sendo dessocializados, desculturados e desritualizados.

Nossa sociedade experimenta uma hiperindividualização desse fenômeno, com a perda de sistemas simbólicos que envolvem o acompanhamento, o morrer, a morte, o luto e o além da morte, deixando para cada um a iniciativa dessas significações.

Ainda segundo Giacomin et al, esse vazio cultural coloca a cargo dos indivíduos a invenção, o sagrado, o respeito; enquanto a pessoa que vai morrer fica submetida ao silêncio, à infelicidade absoluta, à rejeição, à culpabilidade dos próximos, inclusive de equipes de saúde despreparadas para lidar com a velhice, a fragilidade e a finitude humanas.

A psicodinâmica do medo da morte e do adoecimento

Podemos dizer que, do ponto de vista de processos psicodinâmicos, por trás do medo da morte e do adoecimento geralmente há outros medos:

1) Receio de perda de liberdade e submissão ao outro (Impotência de ação)

2) Receio de estar vulnerável frente ao outro (Vergonha, desamparo e debilidade – sinal de fraqueza)

3) Receio de dar trabalho ou retirar a vitalidade do outro (parasitismo)

4) O medo de viver assumindo os riscos e desafios da vida (resignação e covardia)

5) Dificuldade de viver o presente e excesso de nostalgia (extemporalidade)

6) Culpa e ressentimento por não ter vivido suficientemente bem (sensação de desperdício)

7) Medo de sofrer uma dor insuportável ou ter um ataque de pânico (medo do medo)

8) Medo quanto à destinação pós morte (o que vão fazer com meu corpo? Será que vou pro inferno?)

9) Perda de sentido, valor e identidade (desfiguração)

10) Receio de promover “tragédias familiares”

Todo organismo tende a se preservar, proteger-se quanto a desintegração e não existência. Muitos se referem ao instinto de sobrevivência e perpetuação da espécie como os mecanismos básicos que explicam a aversão a morte.

Um comentário pertinente a se fazer é que certos tipos de personalidade são mais impactados que outros no quesito morte e adoecimento, lembra-se aqui os paranoicos, os narcísicos e os hipocondríacos. 

No plano dos significados, enquanto o imaginário se refugia no cenário narcísico superpotente que nega o luto das perdas progressivas na própria vida, a construção simbólica parece enraizada na disjunção entre vida e morte, confundindo sofrimento com gozo, risco de morrer com a “sensação” de estar vivo: a morte que não tem mais lugar invade toda a existência. Assim, nutrindo uma falsa ideia de imortalidade, vivemos um tempo paradoxal em que conflitam o desejo de continuar vivo e o medo de envelhecer.

“Envelhecer remete a: desistência, falta de disposição, fim da atividade sexual, doença. Assim, uma pessoa idosa sem sintomas permanece jovem, como se a juventude fosse uma qualidade moral. Se, por séculos, as sociedades tradicionais integravam e valorizavam a sabedoria e a experiência de pessoas mais velhas, as sociedades atuais, voltadas ao culto da juventude, recusam a normalidade da velhice, a ponto de considerá-la uma doença. O estereótipo atual do velho é o de alguém doente, impotente, dependente, sem a dignidade de um ser humano forte e livre; porém, ao negar as diferenças e a realidade que poderia ser a nossa, nega-se a própria vida” (Giacomin KC et al, 2013).

A consciência da finitude e a lida com a incerteza como antídotos

Seguindo os ensinamentos platônicos, podemos dizer que o medo tem sua raiz profunda na ignorância. É o desconhecimento. Se pensarmos que todo o contexto atual é desfavorável ao enfrento da morte assim como ela é e que valores tradicionais foram se perdendo ao longo do tempo por tecnicismo ou pela urbanidade, uma medida interessante seria a retomada progressiva da consciência da finitude, da aceitação. Constitui um gesto de coragem poder se reafirmar mesmo na cultura do apelo estético negativo da morte. Ninguém quer morrer, é fato, mas isso a evitação desse fato inevitável compromete muito o viver, acaba ironicamente por nos aproximar dela. Existe no medo um poder de atração.

Podemos repensar a maneira de lidar com o medo do adoecimento e da morte. Muitas vezes, a procura pelo cuidado vincula-se à presença de sintomas, e a preocupação com a perda futura, que não existia, insere-se, de formas sutis e disfarçadas, no planejamento do ciclo da vida de quem convive com doenças crônicas ou histórico familiar de doenças.

O conhecimento pode trazer segurança se bem orientado por um profissional e a espiritualidade um conforto para significar a existência. Fé e razão caminham juntas diante da morte.

Como nota Giacomin et al, muitas pessoas vão vivendo ao longo da vida lutos antecipados, preparativos de perdas reais que reverberam em projeções de perdas futuras. “O luto significa uma provação da vida e a questão da dignidade na morte revela-se na dependência dos outros, na indiferença ou incômodo, no cansaço mesmo que a pessoa que vai morrer sente ao seu redor.” (Giacomin KC et al, 2013).

Como observa Brasileiro & Brasileiro, “a morte em si, na maioria das vezes, não é o grande problema para aquele que morre, mas sim o sentimento de desesperança, de desamparo e de isolamento que a acompanha, nascido do medo que as outras pessoas têm de enfrentar a certeza da sua própria morte.” (Brasileiro & Brasileiro, 2017)

Aprender a dominar a incerteza como algo do próprio campo do caos e externo a nossa vontade é um fator que possibilita atenuar a ansiedade. Tudo é passageiro, tudo muda, nada é permanente. Experimentamos a morte mas não somos a morte, por isso devemos aproveitar a vida. As perdas que sofremos ao longo do caminho, seja de beleza, saúde, amores, objetos, todas elas valorizam os nosso ganhos, as histórias, as lembranças do caminho que percorremos e das contribuições que demos ao mundo.

O medo da morte tanto é maior quanto maior é o arrependimento de não ter vivido.

Referências Bibliográficas

Giacomin KC et al. O luto antecipado diante da consciência da finitude: a vida entre os medos de não dar conta, de dar trabalho e de morrer. Ciência & Saúde Coletiva, 18(9):2487-2496, 2013

MSE BRASILEIRO & JE BRASILEIRO. O medo da morte enquanto mal: uma reflexão para a prática da enfermagem. Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 26(2):77-92, maio/ago., 2017

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Criatividade x Necessidade de Controle

“A prática mais difusa do poder é também a mais desleal, porque se esconde entre as pregas das relações interpessoais. Quando se fala sobre domínio sobre os seres humanos ,não se deve pensar apenas nas dimensões macroscópicas da ditadura, mas em algo que todos podemos viver. No casal, por exemplo, este aspecto está sempre presente e se exprime na tentativa que cada um dos parceiros põe em ação para bloquear as potencialidades do outro.

Uma das raízes fundamentais da exigência de exercer a autoridade está na percepção, fundamentalmente inconsciente, da própria incapacidade: Estamos às voltas com a expressão de uma dificuldade de realização pessoal. É essa impotência, da qual não se é claramente consciente, que alimenta semelhante estilo, e daí se pode deduzir que nenhum homem verdadeiramente criativo pode desejar afirmar a própria supremacia sobre os outros.

A experiência nos diz que é possível viver uma relação em que predomine algum desejo do gênero, porque certas pessoas não têm necessidade de “sobreviver”, já que estão inseridas num processo em que é vital somente a escuta do mundo interior, a fim de construir um ambiente diverso. O indivíduo criativo se sente preso a uma corrente de vida que tem a dimensão da eternidade; ele não sente os limites da própria existência, o que faz ou pensa supera os limites dentro dos quais é obrigado quem simplesmente sobrevive.

A pessoa que procura o domínio, ligada como é à sua dimensão de sobrevivência, tem, ao invés, necessidade de “controlar” a criatividade alheia. Este é um dos pontos mais delicados sobre os quais devemos refletir: da percepção da própria incapacidade de realização nasce o impulso para o domínio, que não tende exclusivamente, ao controle do outro, mas tem a função precisa de bloquear a criatividade.


(In Eros e Pathos, Aldo Carotenuto)

Ainda em tempo, segundo Michael Foucault…..

“Devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades mas enquanto forças criativas”

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Nunca jogue suas ideias no lixo

O lixo está cheio de ideias promissoras que foram jogadas fora por incredulidade, vergonha, desespero ou medo. A ansiedade quanto ao julgamento do outro pode ser uma limitação realmente danosa e bloqueadora do desenvolvimento normal. Já pensou no quanto suas ideias poderiam contribuir para a melhoria da humanidade? Se você acredita que ela seja frágil ou sem importância, já tentou combiná-la com outras ou mesmo esquematizá-la em diferentes pontos de vista? Às vezes é necessário ligar a chave do pensamento não linear, paradoxal e deixar as coisas fluírem com maior liberdade. Pense bem antes de descartar suas ideias! A criatividade é em certo sentido ecologicamente correta, pois nos ensina sobre a reutilização e reciclagem tão necessárias para a vida.

Bloqueios à criatividade

Em pensar que muitos fatores atrapalham o processo criativo podemos dizer que apenas alguns são definitivamente limitadores. A não valorização da vida, o negativo não trabalhado e o congelamento dos hábitos são os principais. O primeiro tem como consequência a perda de energia necessária para manter e fazer rodar os mecanismos comportamentais e psicológicos. O segundo é a desvalorização e a perda de motivação, uma sombra onde não se deixa entrar luz. O terceiro é a sonorização e artificialidade que impede de dar contornos originais e respostas para desafios que surgem no caminho.

Vazio de ideias

Quando há um vazio de ideias, a melhor maneira de superá-lo é através do enfrentamento. Isto significar ir em confronto ao mundo, observar, refletir e aprender. A ideia surge da iluminação de processos muitas vezes inconscientes que precisam ser revisitados pela inspiração da natureza, das artes ou mesmo dos detalhes presentes que ressaltam aos nosso olhares mas por habituação ou costume são renegados, esquecidos.

A criatividade como processo

A criatividade é melhor pensada e executada como processo. Compreendê-la desta forma é entender que existem etapas no caminho. A pessoa criativa desperta em si mesma o potencial que vai desenvolvendo no contato com o mundo e na relação com o outro o seu fazer original. Vá aos poucos, faça por parte e tenha consciência do processo criativo como um todo para não faltar energia e garantir seu sucesso.

A criatividade exige esforço

Para quem acredita que a criatividade é coisa de preguiçoso, está enganado! Implica energia e esforço cognitivo. Como habilidade deve ser identificada, desenvolvida e constantemente analisada ao longo da vida. As demandas do dia a dia são insuficientes para melhorá-la, assim como apenas se locomover em pequenos espaços é insuficiente para queimar grandes quantidades de calorias.

Lembre-se…

Isaac Newton não olhou uma maçã caindo da árvore e descobriu a gravidade. ele vinha estudando o assunto fazia anos e a maçã foi apenas um gatilho para ele aprofundar nos estudos. Galileu não acordou um dia e descobriu que a Terra girava ao redor do sol. Ele observava os planetas e, ao ver satélites ao redor de Júpiter, supôs que a Terra e o Sol possuíam a mesma dinâmica. Criatividade não vem do céu. Não é uma dádiva que acomete certas pessoas privilegiadas. Criatividade é trabalho. Grandes ideias que você escuta e admira não são resultado de epifanias. Elas nascem da pesquisa, do estudo, do foco, da investigação, da tentativa.”(Gomes & Braga, 2019)

Há algum tempo, exatos 3 anos, decidi me aprofundar nos estudos da criatividade humana. É o tipo de empreendimento que me religou à Psicologia e o que me faz acreditar no trabalho psicoterapêutico e consultivo. A criatividade é uma das bases de crescimento pessoal e talvez um dos parâmetros mais importantes de saúde mental. No nível das relações e da vida profissional, a ciência vem a comprovar cada dia mais sua importância prática e metodológica como fator preditor de sucesso e essencialidade nos processos fundamentais de uma organização. Não é só trabalho artístico, não é só prazer, não é só para quem tem atributos genéticos avantajados. Criatividade é capacidade de resolver problemas, combinar elementos e encarar a complexidade do mundo. Depende de múltiplos fatores. Já pensou em desenvolver a sua e impulsionar as outras atividades mentais de quebrada?

#criatividade #psicologia #desenvolvimento #organização #autoconhecimento #treinamento

“Sê o que quiseres, mas procura sê-lo totalmente” Thomas More

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Criatividade não é só andar nas nuvens

Dizem que o criativo vive com a cabeça nas nuvens. Isso em parte é muito verdadeiro, tirando-se o fato de que está sempre com os pés no chão. O criativo é um gigante leve que se locomove até encontrar melhores horizontes. Enfrenta estratos e cumulus. Dias de sol e dias de chuva. Seu pensamento segue o clima. Nem sempre é fácil se adaptar. Mas como são belas e fascinantes as paisagens que encontra pelo caminho! Se levanta um pouco o pé, como uma criança curiosa observando a janela do vizinho, já sabemos: está muito próximo às estrelas, ao brilho no meio da escuridão. Criativos, os eternos gigantes nefelibatas.

A criatividade não se limita à imaginação. Para quem pensa que o criativo está sempre andando nas nuvens, está “nubladamente” enganado. O fazer criativo exige esforço cognitivo pois trata-se de um processo de resolução de problemas. Envolve-se funções executivas, atenção, memória. Inclusive é bastante sólido quando pensamos no uso corpo e do mundo material.

O poder da imaginação nos faz infinitos porque engrandece. Uma vez o psiquiatra e grande teórico C.G.Jung disse que “quem olha pra fora sonha e quem olha pra dentro desperta”. Reações oportunas às duas grandezas inevitáveis que confrontaremos ao longo da existência: o nosso psiquismo e o mundo dos objetos. Venho aqui te fazer um convite:

1) Observe sua realidade e se dê conta da maravilha que é o universo com seus movimentos, formas e cores. Esteja no momento presente.

2) Tente absorver dessa realidade natural inspiração para abstrair ideias fazendo comparações e interpretações. Isso vai levar um tempo maior e precisará dedicar mais energia.

3) Agora feche os olhos e observe o que vem a sua mente: flashbacks, sons, imagens, desejos, planos. Demore um tempo nesse exercício. Assim que abrir os olhos, anote tudo no papel ou desenhe.

4) Visualize a riqueza infinita que há em cada instância da vida. No seu interior você descobrirá segredos e no exterior oportunidades de realizá-los.

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A criatividade como encontro de duas forças

Podemos dizer que a criatividade parte de duas forças que se encontram: um interna e outra externa. A interna é promovida pelas funções psicológicos, sob a égide da motivação e atividades cognitivas. A força externa é o ambiente, a realidade e a sociedade, a presença do outro. Frequentemente as duas forças se chocam e dela nascem potencialidades ou fraquezas. Se ocorre como num cardume de sardinhas, onde a união próspera e a segurança é garantida, a criatividade se movimento no vasto oceano do universo. É como se os impulsos individuais tivessem em consonância com as urgências e necessidades externas.

Uma criação existe a depender da aceitação social, ganhando ou não status de inovação. Se na luta entre as forças cria-se um vórtice, onde pressões não se acomodam e rodopiam rumo ao centro do vazio, é como uma água descendo pelo bueiro do tanque. É uma criatividade agitada, idiossincrático, violenta, “furacosa” cujo destino último é a brisa ou a corrente. Uma produção sem efeito. Consequências não aceitas socialmente. Da coletividade devemos extrair o conhecimento e a aceitação, mas não podemos esperar muito dela a total entrega ou facilidades. A fraqueza da coletividade também reside na perda da identidade.

Muitos cientistas, artistas, homens comuns, perdem -se em furações da indeterminação, ondas grupais, “verdades” construídas para fins egoicos e não totais. Nunca se encaixe em algo apenas para ser aceito. O sentido de pertencimento vem de dentro.

A criatividade bem como qualquer desígnio humano só se sustenta em uma vida em rede. Não há aspecto algum na natureza que seja totalmente independente e que não clame pela complementaridade. Precisamos de conexões e parcerias para sobreviver. Outras tantas vezes, renúncia pelo outro. Se pensamos em um design inteligente ordenando o cosmos em meio ao caos, as coisas são dadas a complementaridade em função, propriedade e movimento. A possibilidade de crescer não é a de subjugar o outro. Não é uma questão de poder mas de possibilidade e desenvolvimento. Uma criatividade cooperativa é aquela baseada na orquestração de informações e elementos que vem de diversas partes, o diálogo constante entre diversas esferas de conhecimento e atuação profissional. Quem pensa em levar uma vida totalmente egoica, perde-se em quaisquer ambientes em que se encontre. É totalmente não adaptativo e traz profundos sofrimentos. A criatividade cooperativa exige aceitação, abertura, confluência e diálogo entre várias partes. Uma técnica importante que provém dessa ideia é o brainstorming e sua ampla utilização em projetos profissionais. Já pensou em ajudar o outro? Você se permite ser ajudado em termos criativos?

Algumas dicas gerais:

1 – Esteja sempre aberto as criticas e se prepare para defender seu ponto de vista tendo clareza das suas ideias

2 – Caso haja um bloqueio na geração de ideias, o mais adequado é que o grupo ou a pessoa tire totalmente o foco daquele problema e volte sua atenção para outra realidade, deixando um tempo para “o inconsciente funcionar

3 – As emoções ajudam ou prejudicam profundamente a experiência de um trabalho criativo em todas as suas fases, por isso é importante o autoconhecimento e no caso do grupo, compreender sua dinâmica, seus objetivos e motivações.

4 – O outro e o eu precisam estar em constante sincronia para as ideias fluirem, como em um movimento respiratório de inspirações, pausas e expirações.

5 – O que vier do outro não necessariamente será útil. É preciso saber filtrar a essência de um projeto criativo e o “ranço subjetivo de cada um” onde se notam vestígios traumáticos, sintomatologias, padrões de relacionamento e crenças.

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As fases do processo criativo

Você já deve estar cansado de tanto ouvir falar sobre a importância da criatividade no mundo atual, não é mesmo? O grande problema é que muitas vezes essa importante habilidade é abordada junto aos seu mitos, não proporcionando uma verdadeira aprendizagem às pessoas. A criatividade pode ser aprendida se a entendermos como um processo, antes mesma de pensá-la como um talento inato.

No post de hoje gostaria de lembrar que a criatividade possui fases e essas fases podem acontecer de maneira não linear e até mesmo serem simultaneamente presentes no desenvolvimento de uma ideia ou projeto.

Ao total são 5 fases: Ciência, Consciência, Paciência, Persistência e Coexistência

1 – CIÊNCIA

Primeira etapa do processo criativo: observar atentamente, experimentar, verificar e replicar, controlar variáveis. Em todos nós há um cientistazinho criativo cultivando a planta da sabedoria. Ele sabe que precisa de condições específicas pra ela crescer e dar frutos, produzir ideias e novidades. Você ja conversou com ele?

2 – CONSCIÊNCIA

A segunda etapa do processo criativo consiste na consciência. A partir das análises levantadas, tomar as atitudes adequadas para cultivar uma ideia, um projeto. Consciência é abertura, capacidade de discernir os elementos, clarificar associações. Costumamos em treinamento a vivênciá-la na etapa de desenvolvimento, ainda com a Identificação do perfil.

3 – PACIÊNCIA

A terceira fase do processo criativo consiste na paciência que é justamente o momento de esperar para que os resultados apareçam no tempo correto. Exige atenção e cuidado. Alguns chamam de fase da intuição ou incubação. As ideias se revolvem no cérebro a procura de soluções e oportunidades de concretização otimizadas. Espere e tenha o pensamento positivo de que irá crescer. Relaxe para fluir.

4 – PERSISTÊNCIA

A quarta fase do processo criativo consiste na persistência. A prova de um produto ou de uma ideia as vezes precisa de tempo para consolidar e ter aceitação social ou mesmo relevância no mundo. Há aquelas provas que valem a pena lutar e outras não. Essa etapa portanto exige motivação e discernimento. Os resultados vão surgindo com esforço e superação de dificuldades. Haverá estranhamento, muita dúvida, relutância; apenas continue. Faça modificações se necessário e relembre das etapas anteriores.

5 – COEXISTÊNCIA

A quinta etapa do processo criativo é marcada pela convivência entre criador e criatura. Entre o pensador e a sua ideia já concretizada, tendo os efeitos já constatados e modificações na realidade já estabelecidas. Fato curioso é que a coexistência enseja a ciência, ou seja, a continuidade do fazer criativo. Novos elementos aparecem e coisas a descobrir e se inventar.

Já pensou em poder desenvolver sua criatividade e melhorar suas qualidades profissionais e contribuir para o mundo com suas ideias?

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Por que fazer psicoterapia?

Psicoterapia é um método de tratamento mediante o qual um profissional treinado, valendo-se de meios psicológicos, especialmente a comunicação verbal e a relação terapêutica, realiza uma variedade de intervenções com o intuito de influenciar um cliente ou paciente, auxiliando-o a modificar problemas de natureza emocional, cognitiva e comportamental. De uma psicoterapia podem surgir demandas para indicação e serviço de outras áreas profissionais relacionadas à saúde como medicina, fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Por que fazer terapia?

1- Para identificar traços de personalidade, hábitos, crenças e comportamentos limitantes

2 – Para tornar conscientes certos conflitos inconscientes, identificando defesas e padrões de resposta às circunstâncias da vida

3 – Para refletir sobre problemas pessoais com o auxílio de um profissional devidamente preparado e apto a escutar empáticamente

4 – Para trabalhar e desenvolver aspectos positivos já existentes na personalidade (habilidades, talentos e competências)

5 – Para avaliar aspectos gerais do funcionamento psíquico através de testes psicológicos voltados para atenção, inteligência, memória, psicomotricidade entre outros, quando o cliente/paciente demandar e sob análise ponderada do Psicólogo.

Alguns mitos …

Psicoterapia é para loucos: Essa ideia vem a reboque de um preconceito relacionado a especialização médica da Psiquiatria e a confusão histórica que se faz com a Psicologia de modo geral.    O fato é que nem a Psicologia, nem a Psiquiatria na contemporaneidade tratam de loucos. Lidamos com diferentes modalidades existencias e formas de subjetividade que podem estar ou não conformadas às normas esperadas culturalmente mas sobretudo que se observam influenciando positivamente ou negativamente a vida, a potencialidade de agir e sobreviver no mundo de cada pessoa. Esclarecendo, psicoterapia é para todos que desejam se descobrir mais profundamente e não necessariamente ira focar na negatividade, nas patologias ou desvios comportamentais.

Quem sai da terapia fica louco: A terapia pode provocar mudanças intensas e duradouras em quem se compromente a realizá-la de maneira adequada e mediante as intervenções qualificadas de um profissional competente. As transformações geradas por ela podem parecer ao olhar do outro como uma loucura pois subvertem a normalidade costumeira de determinada pessoa ou sua personalidade que passa a ser mais comprometida com o sentido de vida próprio e confiante quanto as suas possibilidades e limitações. Para resumir, a pessoa muda seus modelos de comportamento em uma terapia bem sucedida. Não é loucura, é transformação.

Psicoterapia dura muito tempo: A duração da terapia varia de caso em caso a depender da demanda do cliente/paciente e da gravidade das questões que ele traz ao longo das sessões. Uma relação terapeutica de qualidade e a eficiência do terapeuta em auxiliar o cliente/paciente em identificar suas necessidades também são fatores preponderantes.

O Psicólogo vai ficar me analisando o tempo inteiro: O processo terapêutico não envolve somente investigação psicológica ou julgamento por parte do terapeuta, mas a criação de um campo emocional, onde a compreensão empatica possa existir. O psicólogo está interessado não só em entender intelectualmente as demandas da pessoa mas também de vivênciá-las, presentificá-las e comunicar na essência. A postura de um terapeuta é sempre de humildade, procurando reconhecer a humanidade que há em si e em todos que atende.

A Psicoterapia resolve todos os problemas: Partindo-se do princípio de que a saúde deve ser entendida do ponto de vista integral, isto é, da totalidade de uma pessoa no seu contexto de vida, não faz sentido pensar apenas na psicoterapia que trataria exclusivamente da saúde mental/comportamental. É preciso reconhecer e tratar de outras dimensões de cuidado como o corpo, as relações sociais (na família e na comunidade) e a espiritualidade. Para tais aspectos, recomenda-se outras práticas, serviços e orientações que o Psicólogo pode sim ajudar a identificar na especificidade de cada cliente/paciente com suas demandas.

Guilherme Bernardes – Psicólogo Clínico CRP 04/52299

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A aprendizagem em Piaget, ideias gerais

Piaget foi um dos teóricos mais importantes da Psicologia e tentou investigar o complexo desenvolvimento humano sobretudo o processo de aprendizagem e o crescimento intelectual. Para ele a lógica e as formas de pensar de uma criança são completamente diferentes da lógica dos adultos e elas vão se desenvolvendo em estágios. A evolução é progressiva e as estruturas de raciocínio vão se moldando e substituindo ao longo de estágios em processos cognitivos (equilibração, assimilação, acomodação). A ação e observação diante dos objetos como experiência são a fonte do conhecimento, que assume três tipos: físico (apreensão de formas, essências/inato), social (linguagem/construído), lógico matemático (significados/construído).

Equilibração é o processo pelo qual melhor se adapta ao meio, a cada interação há um desequilíbrio que necessita ser resolvido. A assimilação é a incorporação de novos conhecimentos e experiências à estrutura intelectual que não são modificadas. Na acomodação, a criança reorganiza sua estrutura mental para incorporar novos conhecimentos para se ajustarem às novas exigências do meio. Ao ocorrer a acomodação, a criança retorna a um novo e superior estado de equilibrio.

Por que aprender? O ser humano precisa aprender para adaptar-se ao ambiente. No entanto, não se trata de algo meramente natural, demanda esforço, tempo, recursos. Alguns fatores são aceleradores do desenvolvimento da inteligência como a maturação do sistema nervoso, o enriquecimento ambiental e qualidade de experiências/interações sociais, além da carga genética (uma variável estudada cada vez mais).

Os estágios do desenvolvimento

Sensório motor: (0-2 anos) – inteligência prática, aprende com movimentos, sensações, ações. Aquisição gradativa da consciência do corpo. O que está fora do campo de experiência não existe.

Pré-operatório: (2-7 anos) – início do pensamento representativo, do faz de conta, da linguagem, forte egocentrismo (centrado no eu), animismo (ela atribui movimento às coisas = ela é a causa), jogos simbólicos. Confusão de números e quantidades. Início da formação da lógica, do juízo moral (certo e errado). Segue a própria vontade.

Operatório concreto: (8-12 anos) – manipulação de pensamentos (representações internalizadas), dependência do concreto (realidade), as abstrações ainda não são totalmente compreensíveis. Já tem noção de conservação de quantidades. Abandono do egocentrismo e diminuição dos jogos simbólicos. Adquire reversibilidade do pensamento. Precisa “ver” para formular suas hipóteses.

Lógico formal: (a partir de 13 anos) – manipulação de pensamentos abstratos, aquisição de conceitos matemáticos, desenvolvimento da empatia, raciocínio dedutivo, não limita sua percepção ao imediato, começa a refletir sobre os outros e o mundo (muitas vez não aceitando a realidade, mostrando-se rebelde, resistente), retorno de um egocentrismo mas de outra ordem (supervalorização de pensamentos em detrimento dos obstáculos práticos, sabe se diferenciar dos objetos no entanto).

Em relação ao desenvolvimento moral, ele caminha do estado de anomia (ausência de regras/egocentrismo), passando pela heteronomia (consciência de regras externas, conformista, obediência sem questionamento, ausência de responsabilidade, não consegue tomar decisão por si) até chegar a autonomia (consegue perceber, refletir e se posicionar diante das regras, responsabilidade própria)

Resumo das ideias mais importantes:

O pensamento é anterior a linguagem (representação do pensamento) e se complexifica na medida do desenvolvimento dos estágios.

O conhecimento é uma construção ativa e depende de vários fatores.

A cognição/inteligência é uma estrutura complexa de assimilação que evolui progressivamente a partir das interações e experiências. A moralidade vai se moldando a partir das interações sociais no mesmo compasso da cognição.

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