Pagemaster e o elogio da fantasia

d.pngPara abrigar-se de uma tempestade, um garoto pessimista, não apegado a livros e com diversas fobias, esconde-se numa biblioteca, onde encontra um bibliotecário excêntrico que o leva para uma viagem inusitada em um mundo ilustrado onde encontra diversos clássicos da literatura, através do misterioso e mágico livro “Pagemaster”.

Pelo caminho encontra vários desafios representados pelo universo dos gêneros horror, aventura e fantasia, cada qual com suas personagens e características. O filme além de ser um dos melhores em termos de incentivo a leitura infantojuvenil, traz uma mensagem marcante sobre a importância da coragem e a sorte da imaginação que podem nos levar a lugares antes desconhecidos onde a solidão e o medo são em parte esquecidos seja por necessidade ou descoberta.

Richard Tyler enfrentou o dragão da sua vida, escapou da loucura de Mr, Hyde, a arrogância de Ahab, a ganância de Long Jonh Silver, entre as outras dificuldades advindas do relacionamento com seus amigos livros. Através das cenas vamos observando que o “Horror” tem o seu lado terno e carinhoso nem sempre covarde como se espera; o “Aventura” grandiloquente, por vezes egoísta, tem seus momentos de entrega pelo outro como na paixonite pela fantasia e na lealdade a Richard para defendê-los dos perigos; a “Fantasia” presumidamente doce e meiga também tem seus ataques de fúria e amargor.

Nem tudo é como esperamos da realidade. Richard com suas estatísticas esperava isso. A realidade, porém, grandiosa como sempre, fica a espreita para nos surpreender, encontrar novos rumos, inventar, emocionar e fazer-nos perder.

Passada a tempestade dos temores da vida, Richard refugiado na biblioteca, retorna a casa e consegue pela primeira vez subir na casa da árvore construida pelo seu pai sem antes pensar nas probabilidades de acidente ou mesmo a despeito desse pensamento, pois sabia que além dos seus limites poderia encontrar maravilhas, sustos, tesouros e o sonhado desejo de existência.

Dica: escute a inspiradora trilha sonora do filme

 

Advertisements
Posted in Filmes, Processo terapêutico | 2 Comments

Treinamento de criatividade

Àqueles que moram em Belo Horizonte – Minas Gerais, Brasil,

Divulgo por aqui meu treinamento de criatividade. Quem tiver curiosidade e morar por aqui perto, por favor me procurar para maiores esclarecimentos. Ferramentas exclusivas e oportunidade ímpar de aprendizagem!

Treinamento de criatividade.jpg

Posted in Uncategorized | Leave a comment

7 motivos para ser mais criativo

7 motivos para ser mais criativo.jpg

Image | Posted on by | Leave a comment

7 mitos sobre a criatividade

Nos próximos posts pretendo explicar cada um!

7 mitos sobre a criatividade.jpg

Posted in Uncategorized | Leave a comment

criativinfografi

Image | Posted on by | Leave a comment

O frio e o espinho, ou o narcisismo das pequenas diferenças

porcoespinho.jpg

Em um gelado dia de inverno, os membros da sociedade de porcos-espinhos se juntaram
para obter calor e não morrer de frio. Mas logo sentiram os espinhos dos outros e tiveram de tomar distância. Quando a necessidade de aquecerem-se os fez voltarem a juntar-se, se repetiu aquele segundo mal, e assim se viram levados e trazidos entre ambas as desgraças, até que encontraram um distanciamento moderado que lhes permitia passar o melhor possível. (SCHOPENHAUER, 1851/2009, p. 665)

Trata-se de uma parábola bem conhecida dos leitores de Freud, publicada originalmente em Parerga e Paralipómena II, de Schopenhauer. e citada na íntegra em uma nota de rodapé de Psicologia das massas e análise do Eu, de Freud. É a última parábola do livro e, a ela, Schopenhauer adiciona um comentário, este já não tão conhecido:

“Assim a necessidade de companhia, nascida do vazio e da monotonia do próprio interior, impulsa os homens a unirem-se; mas suas muitas qualidades repugnantes e defeitos insuportáveis os conduzem a se separarem uns dos outros. A distância intermediária que ao final encontram e na qual é possível que se mantenham juntos é a cortesia e os bons costumes. Na Inglaterra, àqueles que não se mantêm a essa distância se grita: keep your distance! – Devido a ela, a necessidade de esquentar-se mutuamente não se satisfaz por completo, em compensação não se sente o espetar dos espinhos. – Não obstante, aquele que possui muito calor interior próprio fará melhor em se manter longe da sociedade para não causar nem sofrer nenhuma moléstia.” (SCHOPENHAUER, 1851/2009, p. 665)

A parábola em si é uma verdadeira criação artística. Nela há tanto em tão pouco, que não há como não dizer que Freud, ao utilizá-la, faz uma apropriação muito específica, pontual. O mesmo acontece com o próprio Schopenhauer, autor da parábola, pois seu comentário, ainda que aponte uma leitura singular da problemática do convívio, fica muito aquém da densidade da parábola. Como se o Schopenhauer comentador estivesse alguns passos atrás do Schopenhauer criador. Vejamos em que aspecto da parábola recai a ênfase dada por Freud e como esta se relaciona com o narcisismo das pequenas diferenças.

Há, logo de imediato, dois impossíveis na parábola: o frio e o espinho. Dois impossíveis
opostos, por sinal; pois o frio aparece como impossibilidade de sobreviver sozinho (unir-se para não morrer de frio), ao passo que o espinho representa a impossibilidade de viver junto (separar-se para não furarmos uns aos outros). Schopenhauer chama os espinhos de segundo mal; o primeiro, portanto, seria o frio, como anunciador da morte que nos impele em direção aos outros. E o homem– porco-espinho que é – vive entre essas duas impossibilidades: ou só e com frio, ou com o outro e seu espinho. Em outros termos, a função dos espinhos é a de serem impossibilitadores de uma fusão com o outro. Como aponta Barros (1998, p. 43):

“Os espinhos são o obstáculo para uma suposta simbiose, é através deles que se rompe a
proporção que seria necessária para se conseguir uma associação perfeita. Os animais não têm a intenção de espetar os outros, mas de se associar, e os espinhos, que no entanto fazem parte dos seus corpos, dos mesmos corpos que precisam de calor, surgem como um impedimento.”

O distanciamento moderado, que os porcos-espinhos encontram nessa báscula de avanços e recuos, pode ser entendido na certeira expressão de Fuks (2003): “viver junto separadamente” – que também aproxima os opostos. É certamente uma solução insatisfatória, pois “a necessidade de esquentar-se mutuamente não se satisfaz por completo, em compensação não se sente o espetar dos espinhos” (SCHOPENHAUER, 1851/2009, p. 665). No final das contas, cria-se uma solução instável e provisória.
O uso que Freud faz da parábola é para falar do modo como os seres humanos em geral se comportam afetivamente entre si e, principalmente, para descrever essa impossibilidade de uma aproximação muito íntima do outro. Ou seja, a ênfase freudiana recai sobre o segundo mal, o espinho.

Conforme o testemunho da psicanálise, quase toda relação sentimental íntima e prolongada entre duas pessoas – matrimônio, amizade, o vínculo entre pais e filhos – contém um sedimento de afetos de aversão e hostilidade, que apenas devido ao recalque não é percebido. Isso é mais transparente nas querelas entre sócios de uma firma, por exemplo, ou nas queixas de um subordinado contra o superior. (FREUD, 1921/2011, p. 56)
A única relação isenta de afetos de aversão e hostilidade, segundo Freud, seria a da mãe com seu filho. Todas as demais teriam seus espinhos. O ponto central aqui é que essa aversão, hostilidade e intolerância (Freud nomeia de diversas formas) se apega aos pormenores da diferenciação para se expressar, se apega às pequenas diferenças. “Não sabemos por que uma suscetibilidade tão grande envolveria justamente esses detalhes de diferenciação”, diz Freud (1921/2011, p. 57), mas de fato os espinhos se evidenciam nesses pormenores. Tal como o sonho se vale do resto diurno, a hostilidade se apega à pequena diferença.

Há, contudo, certos momentos em que essa mútua aversão entre os homens, ou essa
hostilidade primária, é suspensa. […] toda essa intolerância desaparece, temporariamente ou de maneira duradoura, por meio da formação da massa e dentro da massa. Enquanto perdura a formação de massa, ou até onde se estende, os indivíduos se conduzem como se fossem homogêneos, suportam a especificidade do outro, igualam-se a ele e não sentem repulsa por ele. (FREUD, 1921/2011, p. 58)

Há ligação libidinal entre os membros no interior de uma massa que permite suportar a especificidade do outro. O narcisismo das pequenas diferenças, que distinguiria os integrantes ao instaurar uma mútua hostilidade, fica como que suspenso no interior da massa. O narcisismo das pequenas diferenças (em sua primeira versão, taboo of personal isolation) mostra-se, inclusive, uma oposição à formação da massa, pois essa exige “ligações libidinais entre os seus camaradas” (FREUD, 1921/2011, p. 58) e a recusa de qualquer pormenor que venha diferenciá-los. Afinal, os integrantes de uma massa supõem-se todos irmãos indiferenciados, como se tivessem a mesma forma, uniformizados.

Vale destacar que o narcisismo das pequenas diferenças não é um fenômeno exclusivo de massa (como em geral costuma ser definido), ainda que Freud tenha privilegiado esse locus em suas análises do fenômeno. A questão é que na massa ele aparece desavergonhadamente – sem diques. Na verdade, e inclusive, o narcisismo das pequenas diferenças desaparece no interior da massa entre os seus integrantes; para somente em um segundo tempo retornar – com intensidade – na oposição que se estabelece na formação de grupos, gangues, partidos, facções etc. E da mesma forma como antes o narcisismo das pequenas diferenças era uma garantia de uma unidade do Eu, agora passa a ser a garantia de uma coesão e singularidade de uma massa.

Referência Bibliográfica

Luiz Moreno Guimarães Reino, Paulo Cesar Endo. Três versões do narcisismo das pequenas diferenças em Freud. Retirado em:

http://www.uva.br/trivium/edicoes/edicao-i-ano-iiii/artigos-tematicos/tres-versoes-do-narcisismo-daspequenas-diferencas-em-freud.pdf

 

Posted in Processo terapêutico | Leave a comment

Criatividade, novidade e expressão do ser: o valor da singularidade em Carl Rogers

s-l300.jpgCarl Rogers, no seu livro Tornar-se Pessoa (1961), oferece‐nos uma visão bastante interessante acerca da criatividade. Para Rogers, a criatividade consiste fundamentalmente no surgimento, no contexto da ação de uma pessoa, de uma construção nova resultante da interação entre a própria pessoa, enquanto ser único que tem uma forma particular de ser e de exprimir‐se, e todo o meio que a envolve e serve de enquadramento para a sua experiência, contexto que se compõe de «materiais, acontecimentos, pessoas ou circunstâncias de vida» (1997, p. 301). O caráter de novidade sempre ligado aos produtos chamados criativos deriva, s9mplesmente, da presença de uma subjetividade a agir num momento particular, dirigida para a transformação de materiais específicos. Quer isto dizer que para Rogers a novidade está muito mais dependente de uma circunstancialidade relacional do que de um reconhecimento social de um eventual produto. Podemos então considerar que a novidade, a diferença, é introduzida sobretudo quando a pessoa se exprime, i. e. no processo de expressão, muito mais do que quando essa expressão inevitavelmente se concretiza num produto acabado. Assim, o produto surge como rastro, indício de um acontecimento, e interessa sobretudo enquanto pista conducente à reatualização desse acontecimento, desse processo que o engendrou e pode vir a estar na origem de novos produtos.

A novidade surge então, para Rogers, sempre que a pessoa imprime uma marca distintiva sua num determinado produto, que é, evidentemente, o resultado da interacção entre a pessoa e os materiais que lhe serviram de base para fazer emergir esse produto. O primeiro aspecto que queremos sublinhar, e que derivamos do pensamento do Rogers, é precisamente este da primazia do processo criativo sobre o produto, na medida em que o processo é o centro donde tudo nasce e a partir do qual tudo se elabora. É o momento mais significativo, o da expressão do ser. E Rogers, ao reflectir sobre o reconhecimento social dos produtos criativos (a necessidade de,para serem historicamente reconhecidos, obterem a aceitação dum determinado grupo num determinado  momento), acentua a sua valorização do processo criativo propriamente dito, rejeitando uma classificação dos produtos, a qual levaria apenas, em última análise, a considerar uns superiores a outros sob o ponto de vista de determinados critérios (1997, p. 302). Outra importante ideia que deve ser acentuada é a de que sem a manifestação da singularidade do ser a criatividade não surge. Para que algo novo surja, no sentido que Rogers atribui ao conceito de «novidade», tem de haver uma singularidade a  manifestar‐se enquanto tal, a ser enquanto tal, a reconhecer‐se enquanto tal. Caso se perca a sintonia com esse elemento de singularidade, então não haverá criatividade, mas rotina, e a pessoa, afastada da sintonia com a sua singularidade, não será capaz de produzir coisas novas. Rogers pode elucidar‐nos também quanto ao que aqui entendemos por «singularidade» quando reflete acerca da motivação que subjaz à criatividade.

Para ele, o mecanismo que reside na origem da criatividade – e também do próprio processo curativo ao nível da psicoterapia – é «a tendência do homem para se realizar a si próprio, para se tornar no que em si é potencial» (Rogers, 1997, p. 302). Ora, a singularidade de um ser humano, como a entendemos, consiste precisamente na ligação da pessoa a esse movimento de realização do que em si é potencial, e manifesta‐se quer através do processo de a pessoa se tornar nela mesma, quer através da consciência que se desenvolve acerca desse processo. Quando não há, por parte da pessoa, sintonia com essa dimensão de inscrição num processo de desenvolvimento pessoal, então, com o esbatimento da singularidade, dá‐se o afastamento da criatividade.

Vemos que a criatividade surge como expressão desta tendência do ser humano para ser mais ele mesmo. Quando produz coisas novas e passa a relacionar‐se de novas formas com o meio envolvente, o ser não está a fazer mais do que a mergulhar no processo de tornar‐se ele mesmo, de pôr em acto aquilo que em si é potencial. Este processo de desenvolvimento passa por uma expansão, um alargamento das capacidades do ser, e a expressão pessoal através de produtos é apenas a consequência natural desse processo que consiste em ser aquilo que, de algum modo, já se é. Essa expressão, à medida que o processo decorre e evolui, vai se complexificando cada vez mais, mas o que nos parece fundamental é observá‐la – à expressão, ao produto criativo – enquanto testemunho de um processo em curso no qual o ser se encontra em aproximação de si mesmo. Tendo em conta o que até agora foi dito, consideramos justo afirmar que ser criativo é lançar o ser no fazer. Uma definição tão simples como esta contém em si um larguíssimo espectro de implicações. Por exemplo, a de que se pode ser criativo em qualquer área da vida, em qualquer momento, em qualquer lugar, desde que se aja inscrito, ou em sintonia, com essa tendência para se realizar a si mesmo. Ou ainda a de que quando ser e fazer coincidem, ou quando entre ambos se estabelece uma harmonia, então deixa de fazer sentido a distinção entre sujeito e objeto, uma vez que um e outro passam a estar totalmente envolvidos num mesmo dinamismo de desenvolvimento dentro do qual ambos se derramam um no outro, quase como se de uma relação amorosa se tratasse.

CONDIÇÕES PARA UMA CRIATIVIDADE CONSTRUTIVA

Refletindo acerca da pertinente problemática da criatividade socialmente construtiva e da criatividade socialmente destruidora, Rogers identifica uma série de condições internas que constituem, segundo ele, o referencial mais seguro para apurar se a criatividade de alguém, manifestada através dos produtos criados, é ou não positiva e benéfica para o meio social. A primeira dessas condições é a da abertura à experiência, que consiste num estado de disponibilidade da pessoa relativamente às experiências de vida em que se vê mergulhada, não sendo este objeto de distorção com vista à defesa da organização psíquica. Uma pessoa aberta à experiência encontra‐se, portanto, aberta à percepção dos momentos existenciais integralmente considerados, sem haver a interposição de filtros e barreiras entre ela e o que acontece. Para Rogers, a abertura à experiência é garantia de uma criatividade construtiva, enquanto que uma reduzida abertura à experiência facilita a emergência de uma criatividade patológica, uma vez que há fases, ou partes, da experiência que não ascendem à consciência e não se encontram clarificadas para a pessoa. Haverá, assim, sempre um reduto a defender, e é na defesa desse reduto que se localiza o perigo potencial (Rogers, 1997, p. 305).

A segunda das condições para uma criatividade construtiva é a existência de um centro interior de apreciação, i. e., o facto de a pessoa se sentir aquela que ativamente, mais do que ninguém, valoriza aquilo que faz, na medida em que aquilo que faz é expressão de uma atualização das suas potencialidades. A satisfação com a criação vem do interior, e não do exterior (Rogers, 1997, pp. 305‐ 306). A terceira condição indicada por Rogers é a capacidade para lidar com elementos e conceitos, i. e., a capacidade para manejar com destreza um determinado elemento («ideias, cores, formas, relações») (1997, p. 306), de modo a produzir combinações inesperadas que progressivamente vão conduzindo ao surgimento de algo novo e significativo. Entendido o dinamismo da criatividade como inscrição do ser na tendência para se realizar a si mesmo, para se tornar naquilo que em si é potencial, e conhecidas as principais condições que, de acordo com Rogers, estão associadas à criatividade socialmente construtiva, iremos agora deter‐nos nalguns aspectos importantes deste processo de desenvolvimento.

Referência Bibliográfica

Rogers, C. R. (1997). Tornar-se pessoa. (5a ed., M. Ferreira, A. Lampareli, Trad.).São Paulo: Martins Fontes.

Posted in Processo terapêutico, Psicologia e artes | Leave a comment